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A Fruta mais Ácida

Lugar onde se vende toda, ou quase toda, a fruta com que a sociedade nos premeia. A fruta doce e a ácida estarão expostas à mistura com algum mel.

A Fruta mais Ácida

Lugar onde se vende toda, ou quase toda, a fruta com que a sociedade nos premeia. A fruta doce e a ácida estarão expostas à mistura com algum mel.

21
Jan19

Como eu adoro reportagens ou entrevistas sensacionalistas

Manuel AR

Revistas cor de rosa.png

Não tenho jeiteira nenhuma para humor nem para fazer piadas, e se alguma vez tento fazê-los são deles destituídos.  Há muitos por aí a tentar fazer graça sem graça nenhuma e lá vão arranjando uns “cacaus” aqui e ali, graças aos que os vão vendo e ouvindo. As graçolas estão na moda. É por isso que este sítio nada tem a ver com humor nem com piadas é, simplesmente, algo azedo por vezes com um toque agridoce.  Não, não sou contra os humoristas, nem contra o humor de qualidade que até me faz rir a bandeiras despregadas.

Mas também não aprecio lá muito os e as que contam a história da vida ou do blog onde escrevem porque isso se torna uma grande seca e não traz mais valias a não ser para quem nos utiliza como uma espécie de clientela que através de clikbaits gera receita de publicidade on-line.

Muitos dos blogs que por aí proliferam são uma espécie de textos e imagens de revistas cor de rosa que elas leem e, raramente, eles. Nos cabeleireiros delas, abundam as revistas onde são constantes notícias sensacionalistas com os nomes dos famosos, colunáveis e figuras públicas que são avidamente lidas ao som de zumbidos dos secadores apontados para as suas cabeças. Ler essas revistas é como tragar autênticas doçuras que me provocam acidez.

Vejam-se também os blogs cujos conteúdos são do mesmo tipo e os nomes associados a flores, doces, frutas, pipocas e até nomes que revelam uma dose de narcisismo. Dirão vocês: mas este onde escreve também tem nome associados a fruta. Ah! Pois é, mas é azedo, é ácido! É por isso que talvez não o leiam como o fazem com as revistas cor de rosa porque não vende sonhos. Ninguém compra sonhos azedos.

Os jornais queixam-se de falta de leitores, mas as revistas, cujos conteúdos são autênticos mexericos sobre os chamados colunáveis, são devoradas ao ritmo do crescimento de ervas daninhas na primavera. Eu, cá por mim, fujo delas como o diabo da cruz.

Há também os comentadores da televisão, como o Cláudio Ramos que fala de bisbilhotices e especialista no lançamento de farpas que diz ser: Comentador. Apresentador. Escritor. Cronista. Criador…  É quase um daqueles homens do Renascimento, um autêntico polímato, como Leonardo da Vinci. Apenas lhe falta pintar, fazer escultura e inventar qualquer engenho.

O que interessa para o cálculo do índice de felicidade duma população quem casou com quem, ou que o ator X se separou de Y e que vai ter um menino ou uma menina de Z. Isto não é mais do que a condição agravada do reaparecimento de carateres que pertenciam a gerações antepassadas e que, nos nossos dias, seria suposto terem já deixado de se manifestar.

É a bisbilhotice e o voyeurismo da vida alheia sobre as chamadas figuras públicas. Mas o que é, afinal, uma figura pública? O conceito é ambíguo! Se eu tiver milhões de visualizações numa merda de um vídeo que coloquei no Youtube, ou pelo que escrevo nesta treta de blog, serei convidado por um qualquer canal de televisão para uma entrevista num programa da manhã ou da tarde, para onde uns tantos convidados da terceira idade são convidados a participar, passando a ter um estatuto próximo de figura pública ou quase. Se eu falar de mim, da minha vida privada e escrever a puxar ao sentimento e à emoção, mesmo que invente, tenho leitores pela certa. Não interessa a qualidade, mas a quantidade da audiência.

Os conteúdos das revistas cor de rosa que elas, e eles, mas estes são poucos, leem são todos muito importantes e fico muito feliz quando leio que as cadelas da Rita Pereira são amigas e protegem o seu filho, ou que os “duques de Sussex abandonam casa de campo e cancelaram o arrendamento da sua segunda casa, na qual têm passado muitos fins de semana”, ou, ainda, que “já é possível comprar os pratos comemorativos do casamento da princesa Eugenie” e que “a loja de lembranças do Palácio de Buckingham tem um conjunto de chá disponível por ocasião do enlace da filha do duque de York, que teve lugar no passado dia 12 de outubro, no Castelo de Windsor”. Estou-me nas tintas para isso, mas se vocês gostam então podem clicar nos respetivos links. A democracia também é isto, deixar que os outros se empanturrem de coisas boas. A propósito, há blogs que, talvez com receio da fuga dos leitores, não colocam links para sítio nenhum.

As lágrimas de alegria e contentamento também são bem-vindas. Deixar que as emoções dos outros nos cheguem até nós, e alegrarmo-nos com isso como uma espécie de opiáceos que nos fazem deixar de pensar nas nossas tristezas ou alegrias contentando-nos com as de outros, como as de Rita Pereira em lágrimas ao apresentar o filho ao bisavô, são uma gratidão.

Sábado passado, 19 de janeiro, Manuel Luís Goucha revelou algumas imagens do seu monte no Alentejo e chegou mesmo a mostrar o “quarto da rainha”, que se destina, segundo o apresentador, a Maria Cerqueira Gomes. “O quarto da rainha! À espera da Maria!”, escreveu o apresentador. Caíram-lhe em cima, salvo seja, nas redes sociais.  Parece que os seguidores não gostaram da proximidade que já está a ser criada entre Goucha e a sua nova companheira das manhãs e rapidamente surgiram comentários que acusavam o apresentador da TVI de estar a atacar Cristina Ferreira com a publicação. Tudo isto está na Gente que pode ver aqui. Mas não se pirem, senão passo a fazer como outros autores que não colocam links para lado nenhum.

Todas estas tricas, futilidades, nicas, como lhes quiserem chamar, fazem parte de estratégias para captar audiências. E, para alguns dos protagonistas destas revistas,  o lema é: não me importa que falem mal de mim, o que quero é que falem.

Nas ditas revistas fala-se muito de amor, de sexo e de telenovelas para marcar o apetite para os próximos episódios.  O amor e o sexo têm o seu espaço nestas revistas, e não é pouco, dá até para grande parangona. Eles são a VIP, a Maria, a Nova Gente, a Ana, a TV7, etc..

Vamos ver alguns casos muito edificantes enquanto temas:

QUANDO O AMOR É FORTE MAS A RELAÇÃO NÃO VENCE. «SEI QUE ELE É O HOMEM DA MINHA VIDA, MAS NÃO SERIA FELIZ COM ELE». Uma capa com este título é venda certa, assim como o serão títulos quando Luciana Abreu abre a boca e diz: “Estamos Unidos. Quer usemos aliança ou não.”

Revista VIP.png

Capa da Revista VIP. Edição 19/01/2019

Depois há artigos muito profundos como o da Nova Gente em que se coloca a questão de saber “Se me amasse, deixaria essa vida de ‘engatatão’…” Achava isso! Mas não. Ele não era mesmo um homem de uma mulher só”.

Há sempre alguém que nessas revistas tem direito a um título como este da TV 7 Dias: Mia Rose “Está a dar que falar”. Caraterização de Mia Rose em programa da SIC está A DAR QUE FALAR!

Revista tv7dias Mia Rose.png

Foto TV7Dias

A cantora foi desafiada a “encarnar” o cantor britânico Ed Sheeran e deixou tudo e todos de boca aberta. Vejam só! Que delícia! A notícias também me deixou com a dita aberta. Ai é? Então toma lá a resposta: “O que é que acharam da vossa “Ed Sheeran” portuguesa? Gostaram da atuação? Foi feito com alma, coração e…barba!!”, escreveu a cantora na legenda da fotografia que partilhou nas redes sociais.

Para para quem gosta de saber da vida alheia aqui vão mais estas da TV7Dias: “Kika Gomes anuncia GRAVIDEZ INESPERADA do primeiro filho”.

Kika Gomes surpreendeu tudo e todos quando deu a conhecer o novo amor. Agora, a felicidade da jovem aumentou com a primeira gravidez.

Revista tv7dias Kika Gomes.png

Fotografia TV7Dias

De facto, fiquei surpreendido, e também contente, porque o amor da Kika, ao ficar por cima, aumentou. Vá lá, deixem-se de malandrices, não devem ler literalmente! …. Quero dizer que o novo amor se sobrepôs a tudo…

Vejam agora como a sociedade apresenta tristes contradições! “Carina Ferreira NÃO QUER TER

Revistas Tv7dias Carina.png

Fotografia TV7 Dias

FILHOS: “Não tenho paciência para crianças”. A ex-concorrente de Casa dos Segredos e vencedora de “O Reencontro”, da TVI, já provou não ter papas na língua. Desta vez, fala sobre a que pensa da maternidade. Cá vai a piadinha ácida: então Portugal tem falta de bebés e a natalidade é baixa e ainda há quem não queira ter filhos. Que falta de patriotismo.

Os, e as, protagonistas de programas aberrantes passam a ser figuras públicas e têm lugar de destaque neste tipo de imprensa é porque há procura.

E o “Pedro Carvalho que se veste de SEM-ABRIGO e vai para as ruas. Saiba tudo!”. “O ator, viveu uma noite com os sem-abrigos e percebeu que, apesar de tudo, ainda há pessoas com coração que ajudam quem não pode.”, diz a TV7Dias.

E os horóscopos!? Ai os horóscopos!... Isso é que é um delírio, não os perco. Faço tudo o que me dizem para fazer, só que tenho um problema. Cada um diz-me que faça ou antevê uma coisa diferente e fico entalado sem saber qual seguir.

Enfim, ainda há quem tenha tempo para ler isto enquanto livrarias fecham e jornais estão à rasca e arriscam fechar portas. Como eu adoro reportagens ou entrevistas sensacionalistas, falsas, exageradas de factos e acontecimentos, cujo objetivo são apenas as audiências.

 

 

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